“Helicóptero da polícia é derrubado no morro São João”
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/10/helicoptero_da_policia_e_derrubado_no_morro_sao_joao_41200.html
“Ônibus são incendiados em comunidades da Zona Norte”
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/10/onibus_sao_incendiados_em_comunidades_da_zona_norte_41213.html
“Moradores confundidos com traficantes foram executados”
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/10/moradores_confundidos_com_traficantes_foram_executados_41216.html
“Confronto na Zona Norte causa problemas no trânsito”
http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2009/10/confronto_na_zona_norte_causa_problemas_no_transito_41210.html
Acordei hoje com o tumulto. Do quarto, onde eu ainda estava naquela condição letárgica entre sonho e realidade, ouvi uma frase que me despertou: “Derrubaram um helicóptero da polícia!”
A voz parecia surpresa! “Derrubaram um helicóptero da polícia!”
Levantei e de imediato fui soterrado pelo sensacionalismo da TV, a caixa mágica que tem todas as respostas, a sua “amiga” fiel que só diz a “verdade”, o seu manual de como viver sua vida…
Na caixinha mágica aparecia a imagem de ferragens retorcidas ainda pegando fogo em um campo de futebol e um policial fardado filmando a cena com uma câmera amadora. Uma voz começa a dar os “detalhes”, dizendo que o helicóptero havia sido alvejado por traficantes que travavam uma guerra em algum dos
fronts do Rio, resultando em dois policiais mortos e mais dois feridos.
Depois de mais algumas imagens, vem a perturbadora pergunta de uma repórter, sua voz e sua entonação deixavam transparecer o medo: “Será que a polícia está equipada para enfrentar os traficantes?”
Resolvi dar o título do
post inspirado na frase final da música “Wake Up” da banda Rage Against the Machine, que por sua vez foi inspirada em um discurso de Martin Luther King, no qual ele diz: “How long? Not long, because you shall reap what you sow.” A tradução literal: “Até quando? Não muito tempo, porque você colherá aquilo que planta.”
Por isso resolvi começar o
post com essas manchetes, porque por incrível que pareça, para algumas pessoas elas são chocantes! Surpreendentes! Inacreditáveis! Onde já se viu, derrubarem o helicóptero da polícia! Da polícia! O que leva uma pessoa a fazer isso!
Mas vamos olhar novamente para a situação, com mais atenção dessa vez… Quem são esses traficantes? Esses desordeiros, perturbadores da paz, assassinos de pais de família, esses inimigos de deus, esses animais que derrubam helicópteros da polícia! Da polícia! Bom, se fosse para resumir numa frase quem eles são, eu diria que eles são alguns dos frutos dessa nossa fantástica sociedade. Uma sociedade baseada na desigualdade, na indiferença, na “competição justa”, na falta de caráter, em mentiras, opressão, injustiça.
Mas o que eu ouço em resposta a essas reportagens? Advinhem…
“Tem que matar todos eles!”
“Bando de safado! Tem tudo é que morrer!”
“Tem que colocar o exército lá em cima, ae eu quero ver!"
“Deixa o bope subir e matar todo mundo!”
ou como diria um “nem-um-pouco-imparcial-e-cada-dia-mais-famoso” apresentador de TV: “Pra cima deles minha poliçada!”
Parafraseando Martin Luther King,
nada no mundo é mais perigoso do que ignorância sincera e estupidez consciente
As pessoas não querem ou talvez já nem consigam mais enxergar quais são as verdadeiras raízes de todo esse mal. Um sistema que incentiva a obtenção de lucro a qualquer custo, só pode gerar isso. Desigualdade, injustiça, violência, morte!
Essas pessoas estão a margem dessa sociedade, eles são os excluídos, os sem oportunidade… mas o ser humano se adapta rápido, e encontra um atalho… Ora! Como é que um cara troca de carro todo mês e eu não tenho dinheiro nem para comprar arroz e feijão para meus filhos? Porque os filhos do patrão vão passar férias na europa e eu não consigo nem vestir os meus? Porque a moça da novela gasta milhares de reais para “ficar mais bonita” e minha mão morre lentamente em uma fila de hospital público por falta de equipamento ou médico ou seja lá qual for a desculpa da vez? Todas essas são perguntas que não saem da minha cabeça e que esses excluídos devem se fazer diariamente, ou pelo menos deveriam!… até que eles resolvem vestir a máscara que essa sociedade preparou para eles, representar o único papel que são capazes de representar nesse show de horrores… e quando isso acontece galera, helicópteros da polícia caem sim! Ônibus são queimados sim! Pessoas morrem sim!
Se você planta desigualdade, opressão e injustiça, você vai colher revolta, resistência e violência sim!
Soltar os cães em cima daqueles que não dançam conforme a múscia não é solução para nada… se violência e opressão resolvessem alguma coisa o mundo já seria uma utopia pacífica, porque desde os primórdios dessa nossa “grande sociedade” a violência e a opressão têm sido as políticas públicas mais utilizadas… Achar que violência resolve alguma coisa é a maior ilusão em que você pode acreditar, pois quanto mais você aperta a mão de ferro do estado, mais os oprimidos mordem e com mais força! Quem não tem nada a perder, só tem a ganhar!
“Hey! said my name is called disturbance
Ill shout and scream, Ill kill the king, Ill rail at all his servants” -----Rolling Stones “Street Fighting Man”
Ou nós mudamos as raízes que sustentam essa sociedade doente, reformulamos nossa maneira de ver o mundo, abolimos esse sistema financeiro cruel é extremamente injusto ou então cenas como essas vão se tornar cada vez mais comuns.
Aproveitando a deixa do Rage Against, vou deixar um trecho de uma música que se aplica bem nessa situação: ‘Calm like a bomb’
Pick a point on the globe
Yes tha pictures tha same
Theres a bank, theres a church, a myth and a hearse
A mall and a loan, a child dead at birth
Theres a widow pig parrot
A rebel to tame
A whitehooded judge
A syringe and a vein
And the riot be the rhyme of the unheard
Theres a mass without roofs
Theres a prison to fill
Theres a countrys soul that reads post no bills
Theres a strike and a line of cops outside of tha mill
Cos theres a right to obey
And theres the right to kill
E que a revolta seja a rima dos que não são ouvidos… amén!